Vê a entrevista que o actor e músico Jared Leto deu ao Destak, mas só a seguir ao clique…
Costuma escrever música durante as suas muitas viagens por outros países? Quais os locais que mais o influenciaram?
Tivemos a oportunidade de gravar e escrever canções em diferentes países e continentes, o que é um grande privilégio. Embora o nosso disco seja, em primeiro lugar, de rock americano da velha guarda, ele tem de facto elementos que trago das viagens e das culturas e pessoas que conheço no mundo. Lembro-me de estar em Marrocos a trabalhar em canções, ou na África do Sul, que foi um país me inspirou muitíssimo – chegou a ser lá que surgiu o nome do álbum [nota: Jared já tem afirmado que o nome Beautiful Lie surgiu neste país pela contradição da sua beleza natural com pobreza e devastação – uma ‘Bela Mentira’; também metáfora das encruzilhadas e lutas entre extremos que o álbum «pretende relatar»]. Mesmo que não seja directamente na música, as viagens tornam-se parte de nós, e provocam-nos de forma criativa.
O disco a Beautiful Lie foi disponibilizado na Internet antes de ser posto a venda. Qual é a vossa opinião sobre o download ilegal de músicas?
Essa é uma pergunta interessante, porque ainda nunca nos tinham pedido uma posição sobre isso. O álbum foi para a Internet por um jornalista, de uma reputada revista americana. Não sei como o descobriram e apanharam, mas sei que a história meteu o FBI e tudo. Mas em relação aos downloads acho que é um tema que não é linear. Se um álbum é posto na Internet e se há pessoas que se preocupam o suficiente, gostam o suficiente da banda para ir a correr tirá-lo, é o que eu chamaria de um ‘bom problema’. E no nosso caso específico encarámos a situação: tivemos a oportunidade gravar mais duas canções para o disco, uma delas uma cover da Björk, para que as pessoas ainda mostrassem interesse pelo resultado final, pelo que acho que tudo se resolveu.
Com uma carreira de actor e os álbuns e as digressões, como se conseguem conjugar as duas coisas?Eu sinto-me muito grato pela oportunidade de fazer filmes e música, a sério que sinto. Não peço desculpas a ninguém por isso, embora ache que há artistas na minha situação que sinceramente o deviam fazer (risos). Acho que os 30 Seconds to Mars são uma anomalia quase, por serem uma banda de um actor, mas uma banda que tem mesmo público, fãs, e é uma sensação maravilhosa. Adoro estar numa banda, a experiência tem sido fenomenal. É a minha prioridade neste momento, a música. Mas também sou actor. Em termos práticos é um desafio encontrar tempo para os filmes e digressões, porque somos uma banda que gosta muito de tocar ao vivo. Mas eu tendo a não escolher muitos filmes, sou selectivo, gosto de coisas independentes, pelo que vou conseguindo conjugar.
Num dos seus últimos filmes, Chapter 27, teve de engordar 20 quilos. O que mudou na sua vida, durante esse periodo?Mudou tudo. Eu próprio mudei, na forma como me sentia, como andava, falava, o meu riso. E as pessoas falavam comigo de maneira diferente. Tive amigos que não me reconheciam. Foi uma experiência surreal.
Como actor, a maquilhagem que usa nos 30 Seconds é uma forma também de representar?Talvez. Eu não ando assim maquilhado no dia a dia, neste momento ao telefone consigo não tenho eyeliner (risos). Mas na banda, nos concertos, faz sentido, enquadra-se na nossa imagem, no nosso conceito.
Não sei se tem noção, mas o single The Kill teve imenso sucesso em Portugal, quer nas rádios como nas playlists de televisão. É verdade que quase tiraram este tema do álbum?É óptimo ouvir isso, é uma boa notícia. Sim, é verdade que quase o tirei do álbum porque pensei… não sei o que pensei, devia estar doido (risos). Felizmente os meus colegas encorajaram-me a mantê-lo e ainda bem que o fiz. Foi uma canção que, literalmente, nos mudou a vida.
Como é um concerto dos 30STM?
Tentamos que seja excitante, imprevisível, único. Queremos que as pessoas, no final, se sintam parte de um grupo gigante de artistas, outsiders e poetas. Mas cada espectáculo é diferente, consoante o público, e tentamos acompanhar as suas nuances únicas.
Conhece Portugal?
Eu estive em Portugal há poucos anos e adorei. Lembro-me muito bem, sinceramente. É um país maravilhoso para simplesmente nos perdermos e para recarregarmos baterias. Foi uma viagem especial para mim, lembro-me que conduzi de Lisboa em direcção ao sul, pela costa ocidental, junto às praias. Sempre quis ter uma desculpa para voltar.
Pedro Barreira